Masahiro Sakurai é um dos desenvolvedores mais dedicados do mundo dos videogames. Conhecido por ser a força-motriz por trás da série Super Smash Bros., sua grande paixão, no entanto, é Kirby. A bolinha cor-de-rosa criada por ele ganha somente de Mario quando o assunto é versatilidade de papéis em jogos, com experiências nos mais variados gêneros, algumas com mais sucesso do que outras.
Se fôssemos traçar um paralelo entre fãs de Super Smash Bros. e os poucos que jogaram Kirby Air Ride no GameCube em 2003, o resultado seria este: são dedicados ao que amam e, se bobear, ainda estariam jogando esses mesmos jogos hoje em dia. Alguns até estão, se bobear! Visto que Smash Bros., em sua essência, continua seguindo a mesma essência da versão original do Nintendo 64 em sua versão mais atual, por que não o mesmo para Kirby Air Ride?
É essa a grande promessa de Kirby Air Riders, lançado semana passada para o Nintendo Switch 2. Nele, o espírito do jogo original está vivo e muito bem encorpado, com modos de jogar que são familiares aos veteranos, que de tão diretos ao ponto, também acomodam aqueles que nunca sequer sabem do que se trata Kirby Air Riders.
Com essa última parte em mente, podemos falar de novo sobre Super Smash Bros., já que Kirby Air Riders tem em seu DNA muitos ramos dessa outra criação de Sakurai. Dizer que é só um jogo de corrida seria simplificar demais, porque apesar de sim, ter corridas, torneios e afins, ele vai além, colocando jogadores uns contra os outros em batalhas e minigames caóticos, da mesma maneira que seu irmão de mesmo pai vai além de ser um mero jogo de luta.

Em Kirby Air Riders, você joga como Kirby ou um de seus muitos amigos (e até inimigos!) pilotando poderosas máquinas rasantes. As opções de customização são muitas para esses veículos poderosos, cada uma com suas vantagens e características especiais, que não só fazem com que elas sejam bem diferentes de dirigir, mas também influenciam na maneira com que você interage com outros corredores. Em essência, lembra muito Smash Bros., porque mesmo quem não curte muito correr pode claramente se divertir em outros modos de jogo.
Falando em jogar, a grande diversão é mesmo a brincadeira que Air Riders faz com o mais básico. Sua jogabilidade é simples conceitualmente, com um botão ativo, o de parar e juntar forças para o boost de velocidade, o B do JoyCon 2, que também serve para controlar seu veículo nas curvas se for apertado rapidamente. Mesmo assim, há uma nuance clara nesse sistema de controle que deixa o jogo escancarado para os que se dedicam a preparar combinações perfeitas de corredores.
E é bom saber tudo que dá sobre suas carangas e personagens favoritos, porque tem uma quantidade legal de coisas para se fazer em Kirby Air Riders e o mais importante, cada uma exige habilidades diferentes. Por exemplo, no modo Vista Aérea, onde a corrida é um verdadeiro autorama – você tem mais de 35 e se lembra dessa?! – o ideal é ter boa combinação entre dirigibilidade e velocidade, bastante técnica e finesse, ao contrário da Prova Urbana, onde o objetivo é deixar sua navezinha mais poderosa e enfrentar adversários em minigames.
Tecnicamente, o jogo está lindíssimo, sem tirar nem pôr. Não há quedas de quadros nas duas maneiras de jogar, tanto portátil quanto na TV, mostrando que o Switch 2 chegou chegando com Kirby Air Riders, todo colorido e veloz, muito veloz. Nos testes, os modos online se mostraram estáveis e repletos de jogadores para se digladiar, mesmo por meio de conexão sem fio, nas mais de dez horas de jogatina e muitas lágrimas escorridas.
No portátil, as alavancas dos JoyCons 2 não incomodaram, uma raridade, mesmo com o peso adicional do console nas mãos e os movimentos de um lado para o outro para realizar o famoso “girinho porrada” durante as corridas. De longe, no entanto, sem surpresa, a melhor maneira de se divertir é usando o Pro Controller 2, jogadão no sofá de casa, se essa for uma possibilidade para você, pelo custo adicional (e, convenhamos, pesado) do acessório.

Kirby Air Riders está totalmente localizado em português do Brasil, com textos e narração em nosso idioma. Mesmo sem ter muito o que se ler, o trabalho de tradução ficou muito bom, com o grande destaque ficando para os dubladores Bruna Matta e Fernando Mendonça, dois experientes profissionais que esbanjam simpatia e talento no vai-e-vem das corridas no jogo. Esse é, de longe, o lançamento da Nintendo com mais dublagem em PT-BR e esperamos de pés e mãos juntos que isso seja um sinal que outros jogos com mais diálogo falado acabem recebendo um tratamento diferenciado como este.
O que fica claro ao se jogar Kirby Air Riders é que com ele a equipe desenvolvedora buscou agradar a muitos gostos, o que pode, ironicamente, ter um efeito contrário, porque não parece que houve um foco claro em nenhum deles especificamente. Isso acaba se tornando evidente na mistura de ideias e aplicações dos conceitos centrais de Air Riders, mesmo tão simples e por si só divertidos como são.
E é esse o mesmo “problema” dos jogos Smash Bros., ou o grande trunfo, dependendo de quem você pergunta. Quem ama, ama de paixão, mas o mesmo pode-se dizer dos que não se sentem tão agradados pela proposta dessa última entrega do grande Sakurai.
O Entertainium Brasil agradece a assessoria da Nintendo no Brasil pelo envio do jogo para a produção deste review.
